ALDYR GARCIA SCHLEE

Nascido em Jaguarão, no Rio Grande do Sul, a 22 de novembro de 1934, sobre a fronteira com o Uruguai, Aldyr Garcia Schlee foi escritor fronteiriço e tradutor bilíngue, que escreveu e publicou sua obra tanto em português como em espanhol. Com larga carreira no jornalismo, nas artes gráficas e no magistério superior do Brasil, foi desenhista profissional (vencedor, em 1953, de concurso nacional para a escolha do uniforme da Seleção Brasileira de Futebol), jornalista (ganhador do Prêmio Esso de Reportagem, em 1962) e Doutor em Ciências Humanas, que atuou por mais de 30 anos em várias áreas de seu conhecimento na Universidade Federal de Pelotas (onde chegou a Pró-Reitor de Extensão e Cultura) e na Universidade Católica de Pelotas (onde fundou o Curso de Jornalismo), concluindo sua carreira universitária como professor-visitante do Programa de Pós-graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre.

Como ficcionista e ensaísta, foi ganhador de importantes prêmios literários. Está entre os vencedores da I Bienal Nacional de Literatura (1982) e da II Bienal de Literatura (1984). Por sete vezes foi o vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura (1997, 1998, 2001, 2010, 2011, 2014, 2018 – o maior prêmio literário do Rio Grande do Sul, Estado onde sua obra também recebeu reconhecimento, através do Prêmio Fato Literário (2010). Foi Consultor Jurídico, por concurso, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (1976/1977), para a redação final do Tratado da Lagoa Mirim, firmando pelo Brasil e o Uruguai. Por sua atuação, como intelectual e escritor, foi agraciado com o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural da República Federativa do Brasil.

Schlee foi o tradutor premiado de Facundo – Civilização e Barbárie, de Domingos Faustino Sarmiento (1970) e de Dom Segundo Sombra, de Ricardo Güiraldes (2011). Produziu, em 2006, importante edição crítica da obra de João Simões Lopes Neto, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, numa publicação editada em conjunto pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Em 2012, editou para o Instituto João Simões Lopes Neto, de Pelotas, uma valiosa e atualizada trilogia comemorativa ao centenário dos contos do autor pelotense: Vocabulário de João Simões Lopes Neto, Lembrança de João Simões Lopes Neto e Os Contos e Lendas de João Simões Lopes Neto.

Autor do Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Riograndense, valioso legado sobre linguagem pampeana e de fronteira, numa coleção inédita de verbetes elucidativos da linguagem coloquial e espontânea utilizada no Rio Grande do Sul.

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DICIONÁRIO DA CULTURA PAMPEANA SUL-RIO-GRANDENSE

Este Dicionário pretende oferecer uma contribuição original e inovadora, não só para um melhor e mais aprofundado conhecimento da singularidade linguística da fala do homem do pampa – o gaúcho – como para o enriquecimento e atualização da descrição lexicográfica do português brasileiro. Parte da hipótese de que a cultura gaúcha é una, embora diferenciada (entendendo-se por cultura gaúcha a cultura característica dos povos não só do pampa sul-rio-grandense, mas igualmente do pampa uruguaio e argentino); e busca a comprovação dessa hipótese no registro da linguagem representativa – especificamente – da fala dos brasileiros do pampa sul-rio-grandense. Daí que seja caracteristicamente original e inédito, pois tem por objeto preliminar toda a cultura pampeana (a da metade sul do Rio Grande do Sul, do Uruguai e de parte da Argentina) e porque parte da literatura pampeana como um todo, para atingir seu objetivo.